Arquivo para a categoria 'LITERATURA'

09
mai
10

Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.


Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)

19
nov
09

ANTOLOGIA POÉTICA DE VINÍCIUS DE MORAES

Vinícius de Moraes (1913 – 1980)

Poeta, compositor, diplomata, jornalista, artista, boêmio e amante desesperado e apaixonado pelas mulheres.

No final da década de 50, Vinícius de Moraes era funcionário da Embaixada Brasileira em Montevidéu, no Uruguai, e estava novamente apaixonado, dessa vez por Lucinha Proença, provavelmente o grande amor da sua vida. Vinícius, com  um ofício, pede transferência para o Rio de Janeiro, onde Lucinha vivia, fazendo uso destes argumentos: “Preciso de fato voltar ao Rio. Não é um problema material, de dinheiro, ou de status profissional. Tudo isso é recuperável. É um problema de amor, pois o tempo do amor é que é irrecuperável”. Continuar lendo ‘ANTOLOGIA POÉTICA DE VINÍCIUS DE MORAES’

03
ago
09

VIDAS SECAS DE GRACILIANO RAMOS

graciliano ramos“Você é um bicho, Fabiano.”

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

Os abalos sofridos pelo povo brasileiro em torno dos acontecimentos de 1930, a crise econômica provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, a crise cafeeira, a Revolução de 1930, o acelerado declínio do nordeste condicionaram um novo estilo ficcional, notadamente mais adulto, mais amadurecido, mais moderno que se marcaria pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, por uma retomada do naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental, temos também o romance nordestino, liberdade temática e rigor estilístico.

Os romancistas de 30 caracterizavam-se por adotarem visão crítica das relações sociais, regionalismo ressaltando o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe. Continuar lendo ‘VIDAS SECAS DE GRACILIANO RAMOS’

02
ago
09

A CIDADE E AS SERRAS

O REALISTA JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIRÓS

Eça de QueirósDiplomata e escritor muito apreciado.  Nascido na Póvoa de Varzim em 1846 [de fato em 25 de Novembro de 1845], falecido em Paris a 17 de Agosto de 1900. Era filho do Dr. José Maria Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e de sua mulher, D. Carolina de Eça. Continuar lendo ‘A CIDADE E AS SERRAS’

01
ago
09

Dom Casmurro

O REALISMO BRASILEIRO DE MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis Maior escritor brasileiro de todos os tempos, Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) era um mestiço de origem humilde, filho de um mulato e de um lavadeira portuguesa dos Açores. Moleque de morro, magro, franzino e doentio, o maior escritor brasileiro se fez sozinho, adquirindo a sua vasta e espantosa cultura de forma inteiramente autoditada.

Ao estudar a obra de Machado de Assis, a crítica divide-a em duas fases bem distintas cujo marco deliminatório é o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas publicado em 1881. Até essa data, a obra machadiana é marcante romântica, e nela sobressai poesia, conto e romances como Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Tais obras pertencem pois, à chamada primeira fase. Continuar lendo ‘Dom Casmurro’

22
jul
09

ESTATUTO DO HOMEM

Artigo 1

Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira;

Artigo 2

Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, tem direito a converter-se em manhãs de domingo;

Artigo 3

Fica decretado que a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança;

Artigo 4

Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem, que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu; parágrafo único, o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino; Continuar lendo ‘ESTATUTO DO HOMEM’

30
jun
09

O INENARRÁVEL JOÃO GUIMARÃES ROSA

Eu não escrevo difícil.

EU SEI O NOME DAS COISAS.”

(Rosiana)

Há exatos 101 anos atrás, no dia de hoje, na pequenina cidade de Minas Gerais que se chamara Coração de Jesus da Vista Alegre, depois Saco dos Cochos e, depois, passou a se chamar Cordisburgo: “Cordisburgo era pequenina cidade sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonito: lá se desencerra a Gruta do Maquine, milmaravilha, a das fadas; e o próprio campo, com vasqueiros cochos de sal ao gado bravo bravo, entre gentis morros ou sob o demais das estrelas, falava-se antes: os pastos da Vista Alegre”. (Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras). Aqui, nesse quase lugar, aos 27 de junho de 1908 nascia JOÃO GUIMARÃES ROSA, filho de Florduardo Pinto Rosa, “Seu Flor” e Francisca Guimarães Rosa, “Dona Chiquinha”.

Joaozito, como era chamado quando criança, fora um menino pouco comum. Aprende a ler sozinho, soletra as letras dos jornais ou os rótulos dos caixotes do armazém de seu pai e rejeita os brinquedos: prefere os bichos e os mapas. Continuar lendo ‘O INENARRÁVEL JOÃO GUIMARÃES ROSA’

19
mai
09

SOBRE MITOLOGIA GREGA

A Mitologia Helênica é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de Divindades Principais e Secundárias. Amantes da ordem instauraram uma precisa categoria intermediária para os Semideuses e Heróis. A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. A mitologia grega teve uma influência tão duradoura, ampla e incisiva, que vigorou da pré-história ao século IV e muitos dos seus elementos sobreviveram nos Cultos Cristãos e nas tradições locais. Continuar lendo ‘SOBRE MITOLOGIA GREGA’
15
mai
09

AUTO DA BARCA DO INFERNO – Gil Vicente

Por Professor Daniel (DanDan)

HUMANISMO

MOMENTO HISTÓRICO DO HUMANISMO

Os historiadores costumam limitar o período humanista entre o ano de 1434, quando Fernão Lopes foi nomeado cronista-mor do Reino, e o ano de 1527, data convencional para o surgimento do movimento renascentista em Portugal, iniciado pelo poeta Francisco de Sá Miranda.

O período humanista corresponde basicamente ao século XV, época das mais conturbadas da história portuguesa. Entre os fatos e as grandes transformações que marcam esse período, destacam-se:

Implantação da dinastia de Avis: em 1383-1385, uma revolução com grande apoio popular derruba a dinastia de Bolonha e elege um novo rei, D. João I, grão-mestre da ordem de Avis. A nova dinastia quebra definitivamente a vassalagem que os reis de Portugal prestavam ao rei de Castela;

Fim das guerras de independência e consolidação da independência;

Declínio da organização feudal agrária; ascensão da burguesia; desenvolvimento do comércio, sobretudo marítimo;

O poder político se concentra mais na mãos dos reis, cula autoridade, até então, restringia-se aos limites dos feudos reais;

Expansão ultramarina deflagrada ainda no reinado de D. João I com as conquistas da costa africana, culminando com a viagem marítima às Índias (Vasco da Gama – 1497/98) e com a descoberta do Brasil (1500); formação do império colonial português;

Em 1440, João Gutemberg, inventou a tipografia (a imprensa). Até meados do século XV, os livros, raros e muito caros, eram feitos à mão pelos monges. As conseqüências da invenção de Gutemberg demoraram a aparecer por duas razões: primeiro, porque essas invenções demoravam para se fazerem conhecidas, e essa só chegou ao conhecimento de todos já no fim do Humanismo, ganhando espaço no início do Classicismo.; a segunda razão era que a igreja detinha o poder, e não era interesse dela facilitar o acesso aos livros, à informação e à cultura. Continuar lendo ‘AUTO DA BARCA DO INFERNO – Gil Vicente’




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