Arquivo para a categoria 'Literários'

30
jun
09

O INENARRÁVEL JOÃO GUIMARÃES ROSA

Eu não escrevo difícil.

EU SEI O NOME DAS COISAS.”

(Rosiana)

Há exatos 101 anos atrás, no dia de hoje, na pequenina cidade de Minas Gerais que se chamara Coração de Jesus da Vista Alegre, depois Saco dos Cochos e, depois, passou a se chamar Cordisburgo: “Cordisburgo era pequenina cidade sertaneja, trás montanhas, no meio de Minas Gerais. Só quase lugar, mas tão de repente bonito: lá se desencerra a Gruta do Maquine, milmaravilha, a das fadas; e o próprio campo, com vasqueiros cochos de sal ao gado bravo bravo, entre gentis morros ou sob o demais das estrelas, falava-se antes: os pastos da Vista Alegre”. (Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras). Aqui, nesse quase lugar, aos 27 de junho de 1908 nascia JOÃO GUIMARÃES ROSA, filho de Florduardo Pinto Rosa, “Seu Flor” e Francisca Guimarães Rosa, “Dona Chiquinha”.

Joaozito, como era chamado quando criança, fora um menino pouco comum. Aprende a ler sozinho, soletra as letras dos jornais ou os rótulos dos caixotes do armazém de seu pai e rejeita os brinquedos: prefere os bichos e os mapas. Continuar lendo ‘O INENARRÁVEL JOÃO GUIMARÃES ROSA’

25
jun
09

PROFUNDAMENTE

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Texto extraído do livro “Antologia Poética – Manuel Bandeira“, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001, pág. 81.

11
mai
09

AS MULHERES ESPARTANAS DE ONTEM, HOJE E SEMPRE

Por Professor Daniel

A Grécia antiga era constituída por varias cidades-estado independentes que guerreavam e disputavam modalidades esportivas entre si. Sendo assim, cada uma criava cultura e características próprias. Não havia uma unidade.

Em Atenas, grande metrópole helênica por volta de 400 a.C., as mulheres exerciam um papel fixo e secundário. Não eram consideradas cidadãs na democracia ateniense, viviam apenas em função dos maridos, para criar os filhos e cuidar das casas. Já as mulheres de Esparta, outra cidade grega, eram educadas de maneira oposta, eram ensinadas a lutar, a manusear armas e a guerrear. Eram mulheres guerreiras e fortes que não fugiam de seus temores. Continuar lendo ‘AS MULHERES ESPARTANAS DE ONTEM, HOJE E SEMPRE’

11
mai
09

O ENCONTRO GRAMATICAL QUASE PERFEITO

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontraram no elevador.

Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. Continuar lendo ‘O ENCONTRO GRAMATICAL QUASE PERFEITO’

11
mai
09

HELENA DE TRÓIA, A MAIS BELA.

A lenda sobre o rapto de Helena, que a mitologia grega descrevia como a mais bela de todas as mulheres, desencadeou a lendária Guerra de Tróia. Personagem  da Ilíada e da Odisséia, Helena era filha de Zeus e da mortal Leda, esta era esposa de Tíndaro, rei de Esparta. Ainda menina, Helena foi raptada por Teseu, depois libertada e levada de volta para Esparta por seus irmãos Castor e Pólux (os Dioscuri). Para evitar a disputa entre os muitos pretendentes, Tíndaro fez com que todos jurassem respeitar a escolha da filha. Ela escolheu e se casou com Menelau, rei de Esparta, irmão mais novo de Agammêmnon, que se casara com uma irmã de Helena, Clitemnestra. Helena, segundo uma versão mitológica, abandonou o marido para fugir com Paris, filho de Príamo, rei de Tróia. Continuar lendo ‘HELENA DE TRÓIA, A MAIS BELA.’

11
mai
09

LITERATURA X BÍBLIA

Na língua grega, bíblia significa os livros e quando falamos em literatura estamos bebendo da fonte dos diversos livros bíblicos porque muitas histórias, poesias ou contos estão influenciados por algum deles. Há muito tempo que os escritores utilizam de assuntos bíblicos para fazer intertextualidade (diálogo entre obras diversas) com sua obra ou até mesmo os têm como referência.

O grande Padre Antonio Vieira, brilhante orador do Barroco, pregou em 1633 à Irmandade dos Pretos de um engenho baiano, o Sermão XIV do Rosário, onde ele equipara os sofrimentos dos escravos negros aos de Cristo e, por isso, fora proibido de pregar seus sermões na Bahia. Continuar lendo ‘LITERATURA X BÍBLIA’

11
mai
09

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

Em função do grande interesse e das muitas dúvidas e questionamentos por parte dos meus alunos, resolvi falar aqui sobre o personagem mitológico Hércules. Filho de Zeus, senhor dos deuses, e de Alcmena, mulher de Anfitrião. Hércules é Heracles para os gregos. Pois diz a lenda que Zeus o levou ainda recém-nascido para ser amamentado pela deusa Hera, esposa de Zeus. Por isso seu nome significa a glória de Hera: Hera + Kléos = Heracles. Há ainda a lenda de que ele mamava enquanto Hera dormia e quando ela acordou, tirou-o bruscamente e parte do leite derramou pelo espaço formando a Via Láctea. Hércules foi concebido para tornar-se um grande herói. Continuar lendo ‘OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES’

11
mai
09

“VIVER É MUITO PERIGOSO”

Neste mês de maio comemoramos o cinqüentenário de um dos maiores livros já escrito em língua portuguesa, Grande Sertão: Veredas. Sem dúvida um divisor de águas na literatura brasileira e considerado por muitos o romance mais significativo da nossa literatura.  Trata-se da travessia que Riobaldo, narrador-personagem, faz em suas memórias a fim de narrar suas vivências a um “senhor” durante três dias. Travessia que Guimarães Rosa faz através do caráter insólito e ambíguo do homem, tornando uma experiência individual (Riobaldo) em caráter universal – “o sertão é o mundo”.

E nesse mundo há guerras entre bandos de jagunços, há uma complicada relação de amor entre Riobaldo e seu companheiro Diadorim. Que na verdade é Maria Deadorina da Fé Bittencourt Marins (o que só é descoberto depois de sua morte) – eles são do bando que tenta vingar a morte do grande chefe, Joça Ramiro (pai de Diadorim), que foi morto por Hermógenes e Ricardão, dois traidores chamados de “os judas”. Pela vingança, Riobaldo faz um pacto com o diabo, mas não sabe se este foi concretizado. Continuar lendo ‘“VIVER É MUITO PERIGOSO”’

11
mai
09

O HERÓI NOSSO DE CADA DIA

Estamos no mês de abril, na verdade já está no fim, e este é um mês interessante porque há fatos históricos marcantes. Este mês de abril é mais interessante ainda, já que temos um novo herói em nossa galeria. Já tivemos Pelé, Airton Senna, Guga, Daiane dos Santos… Agora, pela primeira vez, um brasileiro no espaço, excursionando, passeando e plantando feijão. Ele voltou e virou herói nacional, parece até que saiu do Big Brother. Mas este, ao contrário dos outros, terá uma página na história brasileira, mesmo sem sabermos se o feijão brotou. Continuar lendo ‘O HERÓI NOSSO DE CADA DIA’

10
mai
09

DIÓGENES, A FELICIDADE E NÓS

No mundo grego, depois de Platão, houve um período chamado Helenismo. Nesse período existiram três grupos de pensamento: os Cínicos, os Estóicos e os Epicureus. Vamos falar do primeiro, os Cínicos, os quais buscavam a felicidade perante a sabedoria, livrando o indivíduo dos caprichos da fortuna e guiando-o à felicidade apenas. Digo apenas, mas é algo enorme, acho que é o verdadeiro sentido da vida, buscar a felicidade – já que esta é feita de momentos e não é algo que vem e fica, infelizmente. Portanto pode ser que no início deste texto você esteja feliz e ao término da sua leitura poderá não estar mais.

Entre os Cínicos havia um homem chamado Diógenes, não possuía roupas nem bens, “vestia-se” e vivia dentro de um barril, possuía um embornal,andava na Acrópole em plena luz do dia com uma lanterna acesa dizendo procurar pelo menos um homem honesto em Atenas. Certo dia, segundo a lenda, Alexandre, o Grande, rei do maior império de todos os tempos, que por onde passava todos se curvavam a ele e à sua comitiva, foi visitar Diógenes que estava deitado e para o estranhamento do rei e de seus súditos, o homem permaneceu deitado, indiferente à sua presença. Então o rei disse: Sou Alexandre Magno, o grande imperador. Diógenes respondeu: Sou Diógenes. E continuou deitado, o rei gostou de sua irreverência e perguntou se desejava algo, então Diógenes lhe respondeu: Sim. Quero que te afaste um pouco, pois está encobrindo a luz do sol. Diante daquilo, o rei sentiu-se tão pequeno porque havia conquistado mais terras, aumentado seu reino e, de repente, percebeu que aquele homem possuía tudo que queria e necessitava. Alexandre afastou-se e disse: Se eu não fosse Alexandre queria ser Diógenes. E foi embora com seus súditos. Continuar lendo ‘DIÓGENES, A FELICIDADE E NÓS’




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