11
maio
09

O HERÓI NOSSO DE CADA DIA

Estamos no mês de abril, na verdade já está no fim, e este é um mês interessante porque há fatos históricos marcantes. Este mês de abril é mais interessante ainda, já que temos um novo herói em nossa galeria. Já tivemos Pelé, Airton Senna, Guga, Daiane dos Santos… Agora, pela primeira vez, um brasileiro no espaço, excursionando, passeando e plantando feijão. Ele voltou e virou herói nacional, parece até que saiu do Big Brother. Mas este, ao contrário dos outros, terá uma página na história brasileira, mesmo sem sabermos se o feijão brotou.

Na mesma semana tivemos o feriado em comemoração a Tiradentes, o herói da Inconfidência, mineiro e brasileiro; tivemos também o aniversário do descobrimento do Brasil, em 22 de abril de 1500. época do grande poderio português com suas conquistas marítimas. Naquela época tivemos a primeira edição de Os Lusíadas, de Camões. Poema épico (que fala de heróis), seguindo o modelo clássico, que compreende em sua narração uma dupla ação histórica: a viagem de Vasco da Gama à Índia e seu regresso (herói individual) e a exposição da história de Portugal e de seu povo, os lusos, ao rei de Melinde por Vasco da Gama (herói coletivo). O poema é uma exaltação aos grandes feitos dos lusitanos, com exceção do episódio do Velho de Restelo e do Epílogo, que lamentam e criticam o rumo tomado pelos lusos em busca da dominação, glória e poder.

Mas cabe aqui, neste texto, lembrarmos e exaltarmos outra classe de heróis – trata-se da Legião dos Esquecidos, dos homens que ficam embaixo das manchetes, dos heróis anônimos. Quais os atos heróicos? Resposta: acordar cedo, cedinho, de madrugada e enfrentar o trem lotado para chegar ao trabalho, andar à pé para economizar o dinheiro do ônibus, pechinchar na feira a mistura da semana, trabalhar em condições desumanas, fazer o salário mirrado durar o mês, dar “do bom e do melhor” aos filhos, na medida do possível e provar, mesmo sem desejar, o sal da necessidade. Sendo que, em cada nascer do sol não exaltamos e nunca recordaremos desse povo e dessa gente que tem como grande feito heróico a luta pela sobrevivência.

Nesta Legião que se entrega à esperança de um novo dia, fazem parte este autor e você, leitor. Somos nós o herói de cada dia sema página marcada na galeria da história.

Texto publicado no jornal A semente, em abril/2006


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